Faltam menos de quatro anos para a realização desta competição esportiva e o ritmo das adequações estruturais parece não ter se alterado. Nem mesmo os estádios “palcos” dos jogos estão com seus calendários em dia.
Em Belo Horizonte, as obras estruturais no trânsito nem sequer são notadas. A cidade lida de forma caótica com seus veículos em dias comuns. Em dias de chuva ou quando há qualquer obra ou passeata em andamento, a cidade literalmente para. Sem mobilidade não há como garantir qualidade aos moradores, que dirá a turistas que virão para assistir aos jogos.
Providências devem ser tomadas emergencialmente. Mas nada tal qual foi permitido para os meios de hospedagem: prédios brotam em quase todas as regiões da cidade. É preciso fugir da redundância, mas como garantir uma recepção de qualidade pensando somente no aumento do número de quartos de hotel? Os turistas precisarão se locomover, se informar, se alimentar e descansar em segurança. Conseguirão tais visitantes se deslocar dentro do país? Nossos aeroportos suportam? Das estradas e ferrovias não é preciso comentar. Conseguiremos atender ao evento? Espera-se que sim, mas não simplesmente para realizar o mesmo. Improviso e notas medianas não devem ser metas para este projeto.
Uma Copa do Mundo é motivo de felicidade não pelo fato de ter a seleção local jogando bem perto de seus torcedores. Muito menos pelo grande volume de turistas gerando aumento de arrecadação nas localidades. Isto é uma conseqüência. Governantes e empresários deveriam efetivamente fazer algo a mais para seu país.
Que tal melhorar o transporte público? Gerar oportunidades de trabalho e ao mesmo tempo capacitar mão de obra? Por que não distribuir os ganhos ao invés de concentrá-los nas mãos de poucos? O que será deixado para os brasileiros depois da copa? Haverá investimento do que foi arrecadado para melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro? Se não houver nenhuma intenção neste sentido, melhor nem ter desejado receber tal evento. Deixar tudo para útima hora de novo? Sem essa piada.
Abrigar a copa não é uma vitória. Atender bem ao evento e às pessoas que virão prestigiá-lo é uma obrigação. Ganhar a competição é sonho de torcedor. Mas aproveitar o evento como uma oportunidade de melhorar as cidades sede e disseminar isto para o restante do país, é um dever patriótico.
Seria fantastico se o poder publico não fizesse a falacia de superestimar os ganhos economicos. Que o dinheiro ganho não escoasse para empresas estrangeiras e que o principal legado da Copa fosse a infraestrutura urbana.
O que acontece – ao menos ate agora – é o inverso. A preocupação do quem ganha mais parece uma ordem no Brasil, e contempla todos os envolvidos, dos politicos as empresas licitadas.
Quem perde? O povo e claro os turismologos, que ve a chance de um reposicionamento da imagem brasileira frente o turismo internacional ir por agua abaixo.
Quem sabe, ainda falta tempo.